POEMA DE ALÉM-MARTE: AOS NAVEGANTES DO FUTURO

 

Para esquecer todas as palavras alheias,

Ver, numa tela, toda a literatura recriada,

No escuro do próprio ser,

Onírico cinema de cenas e sons,

Do pulsar do próprio sangue.

 

Para desprezar as acusações dos semáforos

De que é preciso amor pra parar no caminho.

Porque tudo o que passa de um é uma ácida ilusão.

Um mais um são uns abraçados no ar

Antes de soltarem os paraquedas.

 

Para purificar ainda mais ainda o que já está puro

Para as manhãs de sol e céus sem nuvens.

A sexualidade entre os pés e o solo (em choque)

Ultrajando as morais e as mais morais das morais.

 

Rebolam-se, requebram-se, balançam-se as saliências do corpo,

Os cabelos, os braços, rebolam-se. Arse ‘n’ boobs.

 

Para entender todos os signos do blá-blá-blá

E fingir que Zaratustra jaz nos vácuos.

Porque somos só superstições,

Somos só abstrações,

Só éteres,

Bolinhas de sabão.

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